Pensamento Sistêmico

O termo "pensamento sistêmico" é amplamente utilizado e não possui um único sentido universalmente aceito. Diferentes escolas dão ênfases diferentes a ele, por isso é importante separar imediatamente o termo em si do conceito específico.

Interpretações Comuns do Termo

Na teoria geral dos sistemas de Ludwig von Bertalanffy, a abordagem sistêmica está associada à consideração do todo, à interação das partes, aos níveis de organização, aos limites do sistema e às propriedades que não podem ser totalmente explicadas através de elementos individuais.

Na dinâmica de sistemas, Jay Forrester e, posteriormente, Donella Meadows e outros pesquisadores enfatizam estoques, fluxos, atrasos e ciclos de feedback. Um sistema é explicado através de como sua estrutura interna gera o comportamento observado ao longo do tempo.

Na tradição de gestão de Peter Senge, o pensamento sistêmico é entendido como a capacidade de ver não eventos isolados, mas estruturas, inter-relações e padrões recorrentes que esses eventos criam.

Na cibernética, associada principalmente a Norbert Wiener e ao desenvolvimento subsequente da área, tornam-se centrais o controle, a informação, o feedback, a estabilidade e a regulação do sistema em relação ao seu estado e objetivos.

Na engenharia de sistemas, o pensamento sistêmico geralmente significa a capacidade de ver um objeto simultaneamente como um sistema inteiro e como parte de um sistema maior, levando em conta requisitos, interfaces, restrições, o ciclo de vida e o impacto de mudanças em uma parte sobre as outras.

Na ciência da complexidade (complexity science), a atenção muda para como o comportamento do todo emerge da interação de múltiplos elementos ou agentes. Aqui, a não-linearidade, a auto-organização, a adaptação, a emergência e a limitação fundamental de prever o comportamento de sistemas complexos através das propriedades de partes individuais são importantes.

Na Metodologia de Sistemas Suaves (Soft Systems Methodology) de Peter Checkland, o pensamento sistêmico é usado não apenas para analisar sistemas técnicos, mas também para lidar com situações humanas complexas, onde diferentes participantes podem definir o próprio problema e os limites do sistema em consideração de maneiras diferentes.

No Pensamento Sistêmico Crítico (Critical Systems Thinking), surge adicionalmente a questão de quem define os limites do sistema, quais interesses são levados em conta, quais suposições estão embutidas no modelo e o que é excluído da consideração.

Todas essas interpretações podem ser vistas como conceitos independentes que usam o mesmo termo "pensamento sistêmico". Elas se sobrepõem parcialmente, mas não são idênticas entre si.

Nosso Conceito de Pensamento Sistêmico

Em nosso conceito de "Pensamento Sistêmico", usamos este termo no seguinte sentido.

O pensamento sistêmico é uma forma de encarar objetos, conhecimentos, habilidades, processos e métodos como sistemas que possuem sua própria estrutura, capacidades, necessidades, restrições e regras de interação com outros sistemas.

Ao mesmo tempo, um sistema pode ser autossuficiente. Ele não precisa obrigatoriamente fazer parte de um sistema maior para continuar sendo um sistema. Mas se quisermos usá-lo como parte de outro sistema, surge uma tarefa separada: entender se eles são compatíveis e se um sistema está corretamente embutido no outro.

Isso é fundamentalmente importante: um bom sistema por si só pode ser um componente ruim de outro sistema. O conhecimento correto pode ser aplicado incorretamente. Um método de trabalho pode ser usado em um contexto inadequado. Uma habilidade útil pode se tornar inútil ou prejudicial se for embutida no sistema errado.

Capacidades e Necessidades do Sistema

Para descrever um sistema, é útil encá-lo de forma muito parecida com a qual uma função ou componente é visto na programação funcional.

Um sistema tem capacidades — o que ele sabe fazer, o que pode produzir, quais tarefas é capaz de resolver.

E um sistema tem necessidades — quais recursos, entradas, condições, outros sistemas ou restrições devem ser atendidos para que ele possa funcionar.

Portanto, ao tentar embutir um sistema em outro, é importante perguntar não apenas "o que ele sabe fazer?", mas também:

  • o que ele precisa na entrada;
  • quais recursos ele consome;
  • o que ele entrega para fora;
  • quais restrições ele impõe;
  • quais interfaces são necessárias;
  • com quais sistemas ele é compatível;
  • o que deixará de funcionar se ele for removido;
  • quais novas capacidades aparecem se ele for adicionado.

O Exemplo do Motor

Um motor pode ser visto como um sistema independente. Ele possui estrutura interna, requisitos de combustível, refrigeração, alimentação, carga mecânica e outras condições de operação.

Em um carro, o motor torna-se parte de um sistema maior junto com o sistema de combustível, parte elétrica, transmissão, refrigeração e outros subsistemas. Se o motor for retirado, o carro como sistema perde uma de suas principais capacidades e para de cumprir sua função principal.

Mas o motor em si não deixa de ser um sistema. Ele pode ser embutido em outra composição — por exemplo, usado em um barco ou gerador. No entanto, para isso, o novo sistema deve suprir suas necessidades e usar suas capacidades corretamente.

É exatamente aqui que o pensamento sistêmico se manifesta: não basta saber que o motor "funciona". É preciso entender onde, com o quê e sob que condições ele funcionará como parte de outro sistema.

Os Sistemas Podem Ser Analisados em Diferentes Níveis

O mesmo sistema real admite múltiplos níveis de consideração.

Para o motorista de um carro, o seguinte modelo pode ser suficiente:

chave → partida → motor funciona → carro pode andar.

Se o carro não pega, esse nível já não é suficiente. É preciso ir mais fundo: bateria, alimentação, ignição, motor de partida, sistema de combustível, sistema de ignição e outros elementos.

Mas mesmo durante o reparo, não é necessário analisar tudo. Se o motor de partida não responde de forma alguma ao girar a chave, verificar o pneu não faz parte da cadeia causal atual.

O pensamento sistêmico, portanto, não significa "levar absolutamente tudo em consideração". Significa escolher o nível suficiente e os limites corretos de consideração para uma tarefa específica.

Os Sistemas Existem Independentemente da Completude da Nossa Compreensão

A realidade não é obrigada a caber no nosso modelo.

Uma tempestade se forma independentemente de entendermos todos os processos de sua ocorrência. Um vulcão entra em erupção independentemente da qualidade de nossas previsões. Átomos e estruturas mais fundamentais continuam a existir e interagir independentemente de quão completamente entendemos sua estrutura.

Qualquer sistema pode potencialmente ser visto de forma cada vez mais ampla — incluindo o meio ambiente, a sociedade, o planeta, o Universo — e cada vez mais profunda — passando para estruturas e mecanismos menores.

Não conhecemos os limites finais dessa decomposição. Não sabemos o que está "além" do Universo e não temos certeza se a física atingiu o nível mais fundamental da matéria.

Daí decorre um princípio importante: a incompletude do conhecimento sobre um sistema não anula a existência e o funcionamento do próprio sistema.

O Que Significa Pensar Sistemicamente na Prática

Para uma tarefa específica, é preciso determinar:

  1. qual sistema estamos considerando agora;
  2. o que ele sabe fazer e para que precisamos dele;
  3. quais são suas necessidades e restrições;
  4. quais outros sistemas interagem com ele;
  5. queremos usá-lo de forma independente ou embuti-lo em um sistema maior;
  6. qual profundidade de análise é suficiente para a tarefa atual;
  7. quais partes do sistema realmente pertencem à cadeia causal atual;
  8. onde nosso conhecimento termina e começa a área que ainda não entendemos ou não podemos controlar.

Essa abordagem é igualmente aplicável à técnica, programação, conhecimento, aprendizado, organizações, economia, biologia e outras áreas.

Por Que Isso é Importante para o Conhecimento

O conhecimento também pode ser visto como um sistema ou como um componente de outro sistema de compreensão.

O conhecimento em si pode estar correto. Mas se uma pessoa o aplica sem levar em conta o contexto, as restrições e as conexões com outros conhecimentos, o resultado pode ser errôneo.

Portanto, em nosso sistema, não basta simplesmente transmitir a informação correta a uma pessoa. É preciso entender exatamente onde ela se encaixa, quais capacidades ela proporciona, quais conhecimentos prévios ela exige e qual tarefa ela ajuda a resolver.

É nesse sentido que o pensamento sistêmico é a base para trabalharmos com conceitos: um conceito é importante não apenas pelo seu conteúdo, mas também por como ele é usado dentro de um sistema específico de compreensão e atividade humana.